A Covid-19 e o (re)aprendizado da cooperação




A humanidade vivencia nestes últimos meses um momento único, onde a Covid-19 é responsável pelo movimento em todos os continentes e por mudar a rotina de bilhões de pessoas. Estudiosos afirmam que se trata de um momento de aprendizagem, por isso a HEALS – Educação entrevista Lúcia Fernanda dos Santos, farmacêutica especialista em farmácia clínica, em metodologias colaborativas e em educação para jovens e adultos para tratar sobre esse tema.



HEALS Educação: Professora Lúcia Fernanda, sob a perspectiva da cooperação, o que esse momento de pandemia tem nos ensinado?


L. Fernanda: Essa pandemia veio nos ensinar na prática o quanto todos os seres desse planeta estão conectados, o quanto a ação de uma pessoa pode interferir em todas as outras. Até pouco tempo, essa afirmação parecia algo muito subjetivo, mas hoje, por conta da alta virulência do SARS-CoV-2, fica evidente que o cuidado individual, por exemplo com o isolamento social, gera um cuidado coletivo, automaticamente. E é o que a população mundial está vendo na prática. Vejo como um dos maiores aprendizados, “o que eu faço interfere no outro e vice-versa” e que realmente vivemos em rede, e não me refiro apenas a rede de internet que tão facilmente nos une, é algo bem maior, estamos conectados na teia da vida, como escreve Fritjof Capra em seu livro Conexões Ocultas.


HEALS Educação: Professora Lúcia Fernanda, você costuma afirmar que a humanidade está re-aprendendo a cooperar. Significa que a humanidade é cooperativa por natureza?


L. Fernanda: O ser humano, diferente de muitas outras espécies, evoluiu de modo que construiu ferramentas capazes de transformar o planeta. Ao mesmo tempo, é um dos seres mais vulneráveis, basta compararmos a um filhote de tartaruga, que ao nascer já sabe qual o caminho para chegar até o mar e o faz sozinho, ou ao compararmos a um filhote de cavalo, que, já se põe em pé para se alimentar pouco depois de nascer. Enquanto o ser humano, meses depois de seu nascimento, precisa que alguém o carregue e o alimente para lhe garantir a vida. O que mostra que o ser humano só conseguiu evoluir como espécie por conta da cooperação. No entanto, ao longo da vida, vamos sofrendo influências do mundo que vivemos, vamos aprendendo a competir e acabamos por levar este como um padrão natural. Já ouvi muitos especialistas em autoajuda dizendo que, já nascemos vencedores, porque fomos o primeiro espermatozoide a encontrar o óvulo, no entanto, a ciência explica que é necessário um fluxo contínuo com o conjunto de espermatozóides para que todos consigam percorrer o caminho até o óvulo e tornar a fecundação possível, ou seja, até para nascermos a cooperação é necessária.

E hoje, com a pandemia, estamos reaprendendo a cooperação, pois tem sido comum o movimento de ajuda entre vizinhos se oferecendo para fazerem compras em farmácias e em mercados para os idosos, nas redes sociais são comuns as mensagens como “não vá dormir com fome”, além de pessoas e grandes instituições oferecendo ajuda com doações de dinheiro, ou lojas esportivas oferecendo suas máscaras de mergulho para serem adaptadas aos aparelhos respiradores de hospitais. Tivemos nessa semana mais um grande exemplo, que foram os presidentes dos EUA e da China, conversando sobre a cooperação entre eles para o combate ao vírus. Por isso, fica claro que estamos (re)aprendendo a cooperar.



HEALS Educação: Professora Lúcia Fernanda, esse movimento de (re)aprendizagem de cooperação é recente? Até onde ele pode chegar?


L. Fernanda: Em 2012, iniciei meus estudos na área da cooperação, onde tive a oportunidade de conhecer alguns mestres e especialistas no tema, que a praticavam já há anos, como Fábio Brotto desde 1991, ele foi o fundador do projeto cooperação e hoje é uma das grandes referências do tema aqui no Brasil. Outro especialista é o Edgard Gouveia, fundador do Instituto Elos. Em 2008, quando houve uma grande enchente que prejudicou muito Santa Catarina, através de um jogo e de brincadeiras, ele reuniu mais de 3 mil jovens para ajudar os afetados pela tragédia. Tive também o prazer de conhecer o professor José Pacheco, fundador da Escola da Ponte em 1976, escola referência mundial por unir as forças dos professores, dos pais e da comunidade em prol à educação livre e criativa e é um modelo estudado até hoje.

Hoje, aprendemos que temos que ensinar aos adultos competências como empatia, diálogo, comunicação não violenta, a escuta e a cooperação, também chamadas de soft skills. São aptidões que empresas buscam hoje em seus funcionários, além dos seus conhecimentos técnicos. E para um futuro, espero que breve, possamos ensinar às nossas crianças de modo sistematizado, cada vez mais cedo, essas competências, a exemplo do que já faz a Dinamarca educando suas crianças com valores como socialização, empatia, sem estímulos à disputas, a honestidade e o estímulo à flexibilização. Explica-se que este é um dos motivos que faz com que a Dinamarca, há mais de 40 anos, encabece a lista da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), dos países mais felizes do mundo.


Com o enfrentamento à Covid-19, podemos aprender muito e juntos!


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