Conheça o poder terapêutico do Gengibre.




Uma síntese de informações da medicina indiana e da farmacologia moderna.


O Gengibre (Zingiber officinale), chamado na medicina ayurvédica de ardrak ou shunti, tem ótima aplicação como digestivo e antiemético, sendo útil também em outros problemas do TGI, como cólicas intestinais e flatulência. Também é analgésico/antiespasmódico e anti-inflamatório. Pode ter aplicação em diabetes e dislipidemias. Seu uso em pacientes obesos, como termogênico, é frequente. No entanto, gengibre exige cuidados para administração em pacientes hipertensos, com tendência a sangramentos, úlceras e problemas cardíacos.


Os mecanismos farmacológicos indicam inibição da produção de prostaglandinas, leucotrienos e tromboxanos, além de produção de secreção biliar e gástrica e aumento da motilidade gastrintestinal. Também há ação termogênica, lipolítica, antioxidante, respaldando suas indicações pela fitoterapia ocidental. As restrições ou precauções se explicam pela presença de cumarinas, que dificultam a coagulação sanguínea. E os esteróis, que podem promover desequilíbrio hormonal e aumento de pressão arterial. Também ocorre sensibilização da pele, ocasionando dermatites.


A medicina indiana ayurvédica explica as indicações do gengibre pela atuação nos doshas do paciente: redução de vatta e kapha, e aumento de pitta dosha. E pelo fato de o gengibre ter energia quente, denominada vyria.


Doshas são bioenergias que constituem os seres vivos e lhes conferem características próprias, além de “governarem” sistemas orgânicos, com suas fisiopatologias próprias. O agravamento ou excesso de um dosha, da mesma forma que sua diminuição ou insuficiência, leva a doenças. O dosha pitta governa os sistemas digestório e cardiovascular. Logo, agravamento desse dosha significa surgimento de doenças ou distúrbios nesses sistemas. Pitta em excesso pode induzir dor epigástrica, hipertensão, taquicardia. Pitta enfraquecido equivale a má digestão, náuseas, dores, má circulação, astenia, entre outros problemas.


A maioria dos problemas digestivos se dá pelo excesso de frio (vatta e kapha aumentados) e escassez de fogo digestivo. A exceção é a gastrite, que se dá pelo excesso de pitta (excesso de fogo = excesso de queimação). Daí a importância e o cuidado no uso do gengibre, pois sua energia, como dito, é quente.


Os doshas vatta e kapha aumentados indicam dificuldades digestivas. Vatta se localiza nas articulações e na pele, sendo que seu agravamento pode levar às inflamações e dores articulares e afeções dermatológicas. Kapha em excesso leva à obesidade, entre outras doenças metabólicas (diabetes, dislipidemias).


O uso regular do gengibre, especialmente em pacientes com baixo fogo digestivo e inflamações frequentes (pitta diminuído e vatta aumentado) pode ser benéfico. Nos pacientes obesos, dislipêmicos e hiperglicêmicos (kapha aumentado), também temos indicação do gengibre. Pode ser incluído na dieta ou através de formulações encapsuladas, tinturas ou decocções.


Mas, cuidados nunca são demais! Se adotarmos o uso frequente do gengibre em um paciente de natureza pitta já aumentado, corremos o risco de promover o surgimento de gastrites e doenças cardiovasculares, como a hipertensão. E se o paciente já apresentar deficiência de vatta ou kapha, podemos ter sérios distúrbios hormonais, hipoglicemia, sonolência etc.


Em qualquer dos casos, o correto diagnóstico dos doshas e a prescrição adequada da fórmula são necessários. Por isso, o estudo do ayurveda e a correlação adequada com a fitoterapia ocidental, baseada na farmacologia dos fitocomplexos, representa uma estratégia de personalização da terapêutica, com maiores chances de sucesso.


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Referências:

D`ANGELO, Edson; CÔRTES, Janner. Ayurveda – A ciência da longa vida. São Paulo: Madras, 2010.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopéia Brasileira / Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa, 2011. 126p.

NICACIO, Gabriela et al. Breve revisão sobre as propriedades fitoterápicas do Zingiber officinale roscoe – o gengibre. Sinapse Múltipla, 7(2), dez., 74-80, 2018.

BARRETO, Alice Maria et al. Efeitos do gengibre (Zingiber officinale) em pacientes oncológicos tratados com quimioterapia. Com. Ciências Saúde. 2011; 22(3):257-270.

MAGALHAES, Mauro Taveira et al. Gengibre (zingiber officinale roscoe) brasileiro: aspectos gerais, óleo essencial e oleoresina. parte 2 - secagem, óleo essencial e oleoresina. Ciênc. Tecnol. Aliment. [online]. 1997, vol.17, n.2, pp.132-136. ISSN 0101-2061.

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