DEXAMETASONA x COVID-19: Cuidado para não piorar a situação.



Vimos nos últimos dias notícias animadoras na batalha contra a Covid-19, quando um estudo (ainda nem publicado formalmente, pois aguarda revisão e pode ser até contestado) apontou o uso de dexametasona como benéfico para os pacientes internados. Só isso já tem gerado uma avalanche de prescrições e corrida às farmácias, mesmo sem prescrição. O estudo RECOVERY, da Universidade de Oxford no Reino Unido, publicou os resultados preliminares de pesquisa randomizada com grupo controle que comparou dexametasona x grupo controle e demonstrou que a dose de 6mg de dexametasona por via oral ou por via endovenosa, 1x/dia, por 10 dias promoveu:

1) redução de mortalidade (em 28 dias) de 1/3 (33,3%) nos pacientes com COVID-19 em ventilação mecânica (VM); 2) redução de mortalidade (em 28 dias) de 1/5 (20%) nos pacientes necessitando de oxigênio e que não estão em VM; 3) não houve diferença nos pacientes que não necessitam de oxigênio.

É fundamental destacar, como dito no item 3, que não há nenhum benefício para o paciente que não esteja na condição de oxigenoterapia. A corrida pela dexametasona, com ou sem prescrição, representa um risco imenso. Talvez, ainda maior que a corrida pela cloroquina/hidroxicloroquina.

Entidades como a Sociedade Brasileira de Infectologia, Sociedade Brasileira de Pneumologia e Associação de Medicina Intensiva Brasileira, em suas recomendações para tratamento de Covid-19, publicadas em maio, afirmam que “Glicocorticosteroides devem ser evitados nos primeiros 7 a 10 dias do início dos sintomas, momento no qual a resposta viral é mais relevante, havendo evidências de que corticosteroides podem retardar a negativação viral”. O texto completo está disponível em https://www.infectologia.org.br/admin/zcloud/125/2020/05/97a9b85bc883622481e642a4714063027e35084002b20f7c48851d05bc3e20e4.pdf

Alguns estudos apontam os possíveis benefícios dos corticoides em tratamento da Covid-19. Alguns defendem até o uso na fase inicial dos sintomas. O principal deles, publicado por Krombiclher e colaboradores, na revista Autoimmunity Reviews, defende também o uso precoce de antimicrobianos, fitoterápicos e outras medidas para combater a Covid-19. O artigo original está neste link: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1568997220301324

Segundo Isabel Cristina Melo Mendes, médica Infectologista pelo Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (UFRJ), embora animadores, os resultados dos estudos não permitem conclusão definitiva para recomendação de uso de corticoides em casos de Covid-19. As publicações oficiais ainda não recomendam o uso de corticoterapia para tratamento de Covid-19 sem outra indicação. Sua opinião pode ser lida em: https://pebmed.com.br/deve-se-utilizar-corticoide-precoce-em-covid-19/

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM, alerta em comunicado oficial que “não há qualquer indicação para uso preventivo ou ambulatorial da dexametasona em pessoas assintomáticas ou com quadros leves da Covid-19”. O documento pode ser acessado em:

https://www.endocrino.org.br/media/comunicado_sbem_dexametasona_e_covid_19.pdf

O site da Endocrine Society (EUA), traz a seguinte informação sobre o uso da dexametasona: “É imperativo que nossos pacientes e o público entendam que o uso de dexametasona em pacientes com COVID-19 é para aqueles hospitalizados com dificuldade respiratória aguda e com suporte respiratório. O medicamento não ajudou pacientes moderadamente doentes que não estavam recebendo oxigênio e não previne os sintomas do vírus.”  A declaração pode ser vista no link: https://www.endocrine.org/membership/covid-19-member-resources-and-communications/dexamethasone-and-covid-19

Alertamos para algumas questões importantes sobre o uso de corticoides, como suas reações adversas graves, mas destacamos as 3 seguintes: a) Diminuição da resposta imunitária b) Hiperglicemia – que pode ser extremamente severa em diabéticos (vamos lembrar que nem todos são diagnosticados com tal) c) Hipertensão arterial

A diminuição da imunidade permite surgimento de infecções fúngicas e bacterianas, além das formas mais graves das infecções virais, como a própria Covid-19. Existe a possibilidade de que os corticoides retardem ou impeçam a formação de anticorpos, o que seria desastroso diante da infecção viral, que se supõe, imunizará que teve a doença. As descompensações de glicemia e pressão arterial podem agravar quadros de pacientes que estavam sob controle, tornando-os mais susceptíveis ao agravamento da infecção pelo SARS-Cov-2, pois, como se sabe, diabéticos e hipertensos são grupos de risco para complicações da Covid-19.

Diante da situação, cabe aos profissionais médicos, farmacêuticos, enfermeiros e todos os que lidam com pacientes neste momento, ter clareza, serenidade e se guiar por conhecimentos técnico-científicos, para transmitir à sua clientela as informações adequadas. Caso contrário, a “benção pode se tornar maldição”. HEALS Educação, mantendo você sempre bem informado! #educacao #capacitacaoprofissional #desenvolvimentohumano #aprimoramento #coach #softskills #liderança #farmacia #nutricao #enfermagem #medicina #estetica #radiologia #biomedicina #quimica #biologia #fisioterapia #fitoterapia #plantasmedicinais #farmaciaclinica #farmacoterapia #healseducacao #vitaminaD #covid19


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