Resistência aos antibióticos.



Uma das páginas eletrônicas mais completas e importantes sobre o tema da resistência microbiana aos antibióticos é do Center of Disease Control and Prevention – CDC, dos Estados Unidos. O tema pode ser visto no link https://www.cdc.gov/drugresistance/index.html. Vamos abordar aqui alguns pontos que constam na página.


A resistência a antibióticos é um dos maiores desafios de saúde pública do nosso tempo. Combater essa ameaça é uma prioridade de saúde pública que requer uma abordagem global colaborativa entre os setores.


O RELATÓRIO de Ameaças de Antibióticos do CDC nos Estados Unidos, 2019 (2019 AR Threats Report) inclui as últimas estimativas nacionais de morte e infecção que ressaltam a ameaça contínua de resistência a antibióticos nos EUA.


De acordo com o relatório, mais de 2,8 milhões de infecções resistentes a antibióticos ocorrem nos EUA a cada ano, e mais de 35.000 pessoas morrem como resultado. Além disso, 223.900 casos de Clostridioides difficile ocorreram em 2017 e pelo menos 12.800 pessoas morreram.


O relatório lista 18 bactérias e fungos resistentes a antibióticos em três categorias com base no nível de preocupação com a saúde humana — urgente, grave e preocupante — e destaca: Infecções e mortes estimadas desde o relatório de 2013; Ações agressivas tomadas; Lacunas retardando o progresso.


O relatório também inclui uma Lista de Observação com três ameaças que não espalharam amplamente a resistência nos EUA, mas podem se tornar comuns sem uma abordagem agressiva contínua. O relatório não faz referência a vírus ou parasitas.


Os microorganismos que exigem ação urgente, quanto à resistência bacteriana são: Acinetobacter resistente a carbapenem, Candida auris, Clostridioides difficile, Enterobacteriaceae resistente a carbapenem e Neisseria gonorrhoeae resistente a medicamentos. O relatório completo pode ser acessado pelo link https://www.cdc.gov/drugresistance/pdf/threats-report/2019-ar-threats-report-508.pdf


A resistência a antibióticos acontece quando germes, como bactérias e fungos, desenvolvem a capacidade de derrotar os medicamentos projetados para matá-los. Isso significa que os germes não são mortos e continuam a crescer. Infecções causadas por germes resistentes a antibióticos são difíceis, e às vezes impossíveis de tratar. Na maioria dos casos, infecções resistentes a antibióticos requerem internações prolongadas, consultas médicas adicionais de acompanhamento e alternativas caras e tóxicas.


Na verdade, os germes sempre procurarão maneiras de sobreviver e resistir a novas drogas. Cada vez mais, os germes estão compartilhando sua resistência uns com os outros, tornando mais difícil para nós acompanhar seu desenvolvimento. Segundo o CDC, um dos últimos recursos antibióticos disponíveis, a associação CEFTAZIDIMA-AVIBACTAM, lançada em 2015, teve no mesmo ano, resistência encontrada na Klebsiella pneumoniae produtora de KPC resistente ao ceftazidima.


Uma preocupação especial se refere à Infecções Relacionadas a Assistência à Saúde (IRAS). São comumente causados por patógenos resistentes a antimicrobianos, que podem levar à sepse ou à morte. As pessoas também podem ter infecções resistentes a antibióticos em sua comunidade, tais como a gonorreia, tuberculose (TB) ou infecções transmitidas por alimentos.


Em um estudo publicado pelo British Medical Journal, em 2019, os pesquisadores analisaram dados de mais de 7,5 de pacientes nos EUA, encontrando dados críticos sobre a prescrição de antimicrobianos: 52% dos pacientes tiveram pelo menos uma prescrição de antimicrobiano no ano; 12% tiveram 4 ou mais prescrições de antimicrobiano no ano; 51% das prescrições foram consideradas inapropriadas ou sem diagnóstico; 19% dos receitas continham azitromicina e 18% continham amoxicilina. Interessante notar que 71% das receitas eram dos consultórios médicos e 11% dos serviços de emergência. O artigo Appropriateness of outpatient antibiotic prescribing among privately insured US patients: ICD-10-CM based cross sectional study tem acesso aberto, pelo link https://doi.org/10.1136/bmj.k5092.


Os programas de Antibiotic Stewardship (administração ou manejo de antimicrobianos) representam o esforço para medir e melhorar a forma como essas drogas são prescritas por médicos e usados pelos pacientes. Melhorar a prescrição e o uso de antibióticos é fundamental para tratar efetivamente as infecções, proteger os pacientes de danos causados pelo uso desnecessário e combater a resistência microbiana.


Em 2014, o CDC convocou todos os hospitais dos Estados Unidos a implementar programas de manejo de antibióticos e publicou os Principais Elementos dos Programas de Administração de Antibióticos Hospitalares para ajudar os hospitais a alcançar esse objetivo. Os Elementos Principais descrevem componentes estruturais e processuais que estão associados a programas de administração bem-sucedidos. Em 2015, o Plano nacional de ação dos Estados Unidos para combater bactérias resistentes a antibióticos estabeleceu uma meta de implementação dos Elementos Centrais em todos os hospitais que recebem financiamento federal.


Em 2019, o CDC atualizou os Elementos Centrais para refletir tanto as lições aprendidas com cinco anos de experiência quanto novas evidências do campo da administração de antibióticos. As principais atualizações incluem: Compromisso de Liderança Hospitalar; Prestação de contas; Expertise em Farmácia (anteriormente "Expertise em Medicamentos"); Ação; Rastreamento; Informes (reports); e Educação de prescritores, farmacêuticos e enfermeiros sobre reações adversas de antibióticos, resistência a antibióticos e prescrição ideal. Em detalhes, este documento pode ser acessado pelo link https://www.cdc.gov/antibiotic-use/healthcare/pdfs/hospital-core-elements-H.pdf.

Por fim, o envolvimento dos profissionais de saúde, em especial médicos (que prescrevem) e farmacêuticos (que dispensam e orientam) é essencial. Todos devem estar engajados nos programas de Antibiotic Stewardship. Voltaremos a discutir este tema em posts futuros.

Colaborador: Prof. MSc. Francisco Correia Junior.


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