Cloroquina e hidroxicloroquina na covid-19.



O conceituado periódico British Medical Journal (BMJ), publicou um editorial no último dia 08 (abril), no qual os autores Robin E Ferner , professor honorário de farmacologia clínica na University College London, e Jeffrey K Aronson , farmacologista clínico, do Center for Evidence-Based Medicine, em Oxford, declaram: O uso desses medicamentos é prematuro e potencialmente prejudicial.

O editorial aponta as inúmeras falhas metodológicas nos ensaios clínicos que apontaram benefícios da Cloroquina/Hidroxicloroquina, apesar do mecanismo de ação indicar sua possível eficácia contra o SARS-CoV2.

Atualmente, mais de 80 estudos estão em andamento no mundo, com os dois medicamentos, com um número enorme de pacientes. Quando esses resultados saírem, poderemos ter clareza sobre a eficácia da Cloroquina na Covid-19. Até lá, cautela é a recomendação.

Os estudos que deram origem à ideia de usar Cloroquina foram realizadas in vitro. O que não quer dizer que se repliquem in vivo, no ser humano. Transcrevemos um trecho do editorial a seguir:

“Em culturas de células e estudos com animais, os efeitos das 4-aminoquinolinas nos vírus da influenza aviária (H5N1) e do zika têm sido variáveis. Nas células infectadas pelo vírus Epstein-Barr, por exemplo, a cloroquina aumentou a replicação viral. Em um estudo, a cloroquina reduziu a transmissão do vírus Zika à prole de cinco camundongos infectados. A cloroquina inibiu a replicação do vírus Ebola in vitro, mas causou um agravamento rápido da infecção por Ebola em porquinhos-da-índia e não fez diferença na mortalidade em camundongos e hamsters. Na infecção pelo vírus chikungunya, a cloroquina foi ativa em estudos de laboratório, mas piorou o curso clínico da infecção em macacos.

A tradução de laboratório para clínica também levou a decepções. Por exemplo, a cloroquina inibiu o vírus da dengue em algumas culturas celulares, mas não conseguiu encurtar a doença em um estudo randomizado de 37 pacientes. E embora estudos de laboratório sugerissem atividade contra o vírus influenza, a cloroquina não preveniu a infecção em um grande estudo randomizado. A disparidade entre experimentos laboratoriais e clínicos pode ser parcialmente devida à farmacocinética complexa das 4-aminoquinolinas, dificultando a extrapolação de concentrações nos meios de cultura para doses em seres humanos. “

Há uma disputa de ideologias e interesses, que vão além da questão de saúde pública. Aprendemos com farmacologia que não há drogas que não causem reações adversas. Em alguns casos, fatais. A situação exige pressa, sem dúvida! Porém, consideramos imperativo ter os resultados dos estudos em andamento nos hospitais brasileiros e no mundo.

O trecho final do editorial, que transcrevemos, é um apelo à lucidez do todos:

“Nenhuma intervenção deve ser considerada eficaz. Mesmo medicamentos inicialmente apoiados por evidências de eficácia podem mais tarde provar ser mais prejudiciais do que benéficas. Muitos medicamentos foram retirados por causa de reações adversas após a promessa clínica. Precisamos de melhores ensaios clínicos controlados, randomizados e com alimentação adequada de cloroquina ou hidroxicloroquina. Por enquanto, exceto por medidas de suporte, a infecção pelo SARS-CoV-2 é "essencialmente intratável".

O editorial pode ser lido, na íntegra, pelo link: https://www.bmj.com/content/369/bmj.m1432


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